
ilustração de Marina Seoane

ilustração de José Luis Navarro

Tenho mesmo saudades de fazer pézinhos para os meus kikipos. tenho saudades de me sentar na cadeira e mexer nos meus projectos ( de pano) , e deixar as horas voarem sem dar pelo tempo; de mexer e remexer em fitas, botões e demais caixas que ás vezes nem me lembro do contéudo. Apetece-me acabar trabalhos quase concluidos, era só uns minutos...

pac. natas. Bater bem. Juntar uma chav. e meia de farinha no fim e envolver na massa. Coze a 180º durante 20 m.

O T. recebeu um livro de culinária, que tem dado este resultado: seleciona uma receita, verifica se há em casa os ingredientes ( e chama mesmo ingredientes!), e depois não descansa enquanto não começa. Mais: atende o telefone e convida quem está do outro lado para vir cá a casa jantar!
A manta do M, que precisa ser debruada, e o meu saco que iniciei no Inverno passado. Agora antes de iniciar novos trabalhos, vou por-me a terminar os que andam por aqui no armário.
1 cenoura ralada fininha; 1 maçã tb ralada; 5 ovos; raspa e 1 limão; 1 iogurte; 2 chávenas de açucar ( ou 1 de frutose); 2 .1/2 de farinha; fermento, 2 colheres sopa de margarina derretida e pitada de canela.
Juntei os ovos com o açucar, depois a cenoura, maça e raspa do limão, depois o iogute e margarina, mexi bem, depois a farinha, fermento e canela e voltei a mexer. O forno já estava quente a 180º e ficou 20 m a cozer.
o estendal do Miguel é um encanto, com peças pequeninas que nos enchem a alma, e das quais eu tinha tantas saudades. A toalha é do T., tenho uma igual para começar a bordar para o M., a fralda e o babete eram do T, fui eu que as bordei e que saudades tenho desses momentos. O ponto cruz, tem um poder de nos abstrair de todo o resto quase único, penso ser pelo prazer das cores mas sobretudo pela concentração que exige na contagem e acompanhamento dos esquemas, o que já não acontece quando faço as kikipos, que embora me dêem mais prazer mas não exigem tanta abstracção.


Outono!
Espero mesmo que com a ida do Verão, tenha também partido as "ondas" menos boas que daqui de casa se aproximaram.
Com tudo isto e não obstante a grande chegada do nosso bébé, não conseguimos ainda desligar-nos dos momentos tão horríveis e desconhecidos até então, que passamos todos, com a agravante da preocupação do Tomás não ter feito praia, não ter tido férias em familia, não ter tido a presença e a disponibilidade da mãe, não ter partilhado aqueles momentos tão preciosos como um simples passeio descontratido e cheio de risadas e histórias banais de "coisas que ele sabe". pois é! mas como criança que é, e carregue-se nessa palavra, "eles"-as crianças, percebem os assuntos com uma simplicidade que facilita todo o resto, e a sua capacidade de encaixe, minimiza bastante as situações, relativamente ao que nós- os adultos, pensamos e até sentimos.
E com a partida do Verão, chega o Outono, uma estação de calmaria, de mudança, que nos apela ao aconchego do lar, a "dedicações"!, e para alterar rotinas pouco desejadas, nada melhor que uma mudança de casa, que nos aconteceu no dia 15-09, dia do Bocage, o dia da nossa cidade! Pois é, mudamos para uma casa maior, cheia de luz, com vista uma vista magnifica para o nosso rio e para Troia, todas as tardes vimos chegar à doca as traineiras carregadas de tanto peixe, com uma nuvem barulhenta de gaivotas malucas á volta do barco, que vêm a acompanhar aquele trajecto e que suponho, a enlouquecerem os pescadores que estoirados devem vir, mas que todo o quadro delícia quem para ele observa, como eu do meu terraço, com o meu bébé ao colo, e o Tomás ao lado a sorrir.
Outro quadro lindo, que acontece todas as tardes como novo ritual das nossas novas vidas, é o trajecto á nova escola do Tomás. Antes o T. andava noutra escola, para a qual tinhamos que ir de carro, eram muitos kms, pois a escola esra próximo do meu local de trabalho, mas agora mudou para a zona da residência, adaptou-se lindamente, gosta do espaço, da professora e dos amiguinhos. No final da tarde lá vou eu a empurrar o carrinho no M. que adora andar de rabinho tremido, e vamos buscar o T. atravessamos a zona histórica da cidade, descobrimos becos, travessas e ruelas antes nunca imaginadas, e gostamos das conversas que vamos pondo em dia.
Bem, assim como o Verão 2007, parece que a nossa tempestade de 2007 também já foi!
