9 de junho de 2011

pedagogia waldorf

há muito que leio e interesso-me pelo ensino na infância baseado no método waldorf e é com muita pena que, verifico que na minha zona nada existe, baseado neste conceito. O M. vai fazer 4 anos, e precisa conviver e trocar experiências com outras crianças, e encontrar uma escolinha que me agrade(dentro deste conceito)  tem sido um verdadeiro tormento!

  Sobre este fascinante método  utilizado numa escolinha em Lagos e também noutra escolinha em Alfragide ( e recentemente em Monsanto), apresento este  texto:


A pedagogia Waldorf, introduzida em Portugal em 1984...

A pedagogia Waldorf, introduzida em Portugal em 1984, aposta na liberdade de desenvolvimento das crianças, valorizando nos primeiros sete anos de vida o aspecto sensorial, em detrimento do intelectual.
Trabalhar a favor e não contra a tendência natural das crianças para serem activas, valorizar as experiências sensoriais nos primeiros anos de vida e viver ao ritmo das estações do ano, são alguns dos princípios da pedagogia Waldorf, ainda pouco divulgada em Portugal.


De facto, apenas dois jardins-de-infância portugueses incluem actividades como modelar cera de abelhas, costurar panos coloridos, amassar e cozer pão, trabalhar com materiais naturais, como troncos de madeira, conchas e cortiça, ou tratar da horta e do jardim. Estas são actividades que, segundo a corrente pedagógica Waldorf, desenvolvem os sentidos das crianças, estimulam a imaginação, a vitalidade e a alegria de viver, apostando sempre numa maior ligação e respeito pela Natureza.


Ana Abreu, fundadora do Jardim-de-Infância S. Jorge, em Alfragide, onde se encontram crianças entre os 4 meses e os 6 anos, introduziu esta pedagogia alternativa em Portugal, em 1984. Segundo explica esta educadora, a abordagem que o método Waldorf faz nos primeiros anos de vida centra-se mais no desenvolvimento motor e sensorial da criança, deixando para segundo plano os aspectos intelectual e cognitivo.

"É muito importante que as crianças brinquem livremente e que expressem aquilo que elas realmente sentem, ou seja, não a partir das nossas agendas, mas a partir daquilo que elas necessitam desenvolver e criar".


A formação Waldorf inclui as vertentes científica, artística e estética. "A nossa prioridade é que a criança se revele como um ser único, e portanto aquilo que lhe damos enquanto ambiente educativo é para ela se desenvolver de acordo com a sua própria vontade, com o que sente que precisa. Isso não quer dizer, no entanto, que ela não tenha limites no seu processo de desenvolvimento", afirma.


Ana Abreu prefere usar o termo "processo de desenvolvimento" a "processo educativo", porque acredita que as crianças não se educam: "Há certos parâmetros que são comuns a todos nós, mas há outros que são completamente individuais, que não são educáveis, antes pelo contrário, são aquilo que cada criança traz. Um aspecto individual que é único e com o qual todos nós também aprendemos", explica a responsável.

Mais a sul, no concelho Lagos, a alemã Eva Herre fundou em 1992 o Jardim Infância Viva, em Barão de São João, que actualmente conta com 30 crianças.



Além da vertente artística, Eva Herre salienta também que a pedagogia Waldorf está muito enraizada no respeito e na admiração pelo Mundo, incutindo nas crianças a capacidade e a responsabilidade de intervir na preservação da Natureza. "Os pais que procuram o nosso jardim-de-infância desejam que os seus filhos tenham uma formação com mais liberdade e em harmonia com a Natureza, saudável para o corpo, a alma e o espírito."
Para a directora do Jardim Infância Viva, o sistema Waldorf não é só uma pedagogia, é também um método e uma atitude que tem a ver com uma forma global de encarar o Mundo. "É importante dar tempo e espaço suficientes para uma aprendizagem sem competição e sem pressas. A pedagogia Waldorf é um movimento mundial com uma forte abordagem multicultural, que torna as crianças mais autónomas e responsáveis, com consciência étnica e respeito pela diversidade, procurando formas de se integrar e participar numa sociedade saudável", explica.

No Jardim Infância Viva, a alimentação é constituída por pratos vegetarianos e o ambiente é internacional, mas Eva assegura que o ensino tem como base a língua e a cultura portuguesas.

É precisamente nesta questão que se reflecte a única preocupação relativamente a esta pedagogia manifestada por Teresa Vasconcelos, directora do Departamento de Educação de Infância e Especializações Educativas da Escola Superior de Educação de Lisboa. "O modelo de Waldorf é interessante, nomeadamente porque é contracorrente e procura uma pedagogia alternativa, mesmo ao nível da alimentação. Mas, obviamente, não será indicada para todas as crianças, porque é necessário que as próprias famílias também se encontrem inseridas nessa lógica de pensamento, seguindo um estilo de vida alternativo, com menor consumismo e maior ligação à Natureza."

Teresa Vasconcelos entende também que na aplicação ao contexto português, a pedagogia de Waldorf deveria ultrapassar os aspectos específicos do país de onde é originária (Alemanha). Deveria ser "mais permeável à realidade portuguesa e às nossas tradições, fazendo uma maior aculturação ao contexto português", afirma a responsável.

Fundada por Rudolf Steiner em 1919, em Estugarda, na Alemanha, inicialmente através de uma escola para os filhos dos operários da fábrica de cigarros Waldorf-Astória, a pedagogia de Waldorf distinguiu-se desde o início por ideais e métodos pedagógicos até hoje considerados revolucionários.

Actualmente existem mais de 700 escolas em todo o Mundo que trabalham com a pedagogia de Waldorf, sendo que em Portugal apenas os dois jardins-de-infância referidos neste artigo e uma escola de educação especial, em Seia, recorrem a esta pedagogia.

in «Educare.PT», 24/03/2006


1 comentário:

Claudiana (25/11/2010) disse...

Olá tudo bem?
Vim fazer uma visitinha e agradecer o carinho, bjos